Helio Rodrigues Arte-Educador
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Opinião
          Já faz algum tempo que venho assistindo a ocupação do espaço das artes plásticas pela palavra. Muitas esculturas, instalações e outras manifestações contemporâneas, parecem não conseguir existir com independência de um texto, uma “bula” explicativa. São discursos complexos, enfadonhos que cercam esses produtos, tentando fortalecer uma linguagem visual que (parece ser) é na verdade insuficiente. O fato é que, o público contemplador que já não é grande, migra para outras linguagens, possivelmente em busca daquilo em que ele possa ser mais participativo.

          Talvez esses artistas, estejam tão preocupados com a transgressão e a polêmica para se manterem “atuais” que, engessados por esse compromisso, terminam restringindo os recursos da linguagem visual além da própria liberdade de expressão.

          Nessa ditadura criada principalmente a partir de uma possível interpretação do pensamento de Duchamp, aqueles que não se enquadram nas “regras” que acabaram sendo criadas para determinar o que é ou não “contemporâneo”, ficam à margem das oportunidades e dos espaços dirigidos por seus seguidores.

          Cansado da minha própria passividade frente às iniciativas restritivas que alguns “profetas da qualidade” vêm impondo aos artistas e ao próprio público, que só assiste ao que é selecionado por eles, venho produzindo algumas esculturas baseadas no conceito de revitalização da forma. Afinal ainda acredito nela como recurso legítimo de linguagem da arte.

Helio Rodrigues (10/2005)